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Devaneios de Miss L

07
Nov20

Eu confesso a minha burrice || Storytime


Miss L

Olá Nossos Devanienses!

 

Desconhecido, pensar, contemplar, pensar, calcular

 

Recentemente eu fiz uma grande burrice e gostaria de partilhar convosco. Para alertar, talvez. 

Eu sou muito impulsiva. Começo por referir que o que fiz foi completamente errado. Demasiado errado, mesmo. Eu só vi a parte boa da minha acção e hoje poderia estar morta ou ter sido roubada. Ou até pior. Foi por impatia. Eu poderia escrever que foi uma Leitora que passou por isto, mas vou assumir. 

Vi no Facebook (Sim, no Facebook) duas meninas que mencionaram que estavam a viver na rua e que a Segurança Social não as ajudava. Foi a parte da Segurança Social que me tocou. Sei dum caso duma pessoa próxima de mim que pediu ajuda à Segurança Social após ser despedida por causa do Covid-19 e não conseguiu ajuda, pois os pedidos de ajuda eram muitos. 

Mandei mensagem e questionei se estavam mesmo na rua. Eram um casal. Sim, eu não as conhecia de lado nenhum. Pensei "Eu tenho o meu sofá-cama vazia, porque não ajudar?". Já me ajudaram tanto até agora que quis retribuir ao Universo. No sentido de continuidade como aquele senhor que deu um bolo de aniversário a uma criança e disse para fazer o mesmo a outra pessoa assim que tivesse oportunidade. 

Só de escrever o que se passou, sinto-me tão ignorante. 

Uma Amiga minha esteve comigo nesse momento. A mesma fez a comida para as quatro que ninguém comeu. Essa era a única pessoa que sabia que elas iam para lá. Vamos chamar de Camila. A Camila disse que ia ao hipermercado perto do meu apartamento para assinar uma ficha de trabalho. Demorou uma hora e tal. (Este ponto é importante).

Elas disseram que tinham conhecidas em comum com o passado da Camila. O meu Pai ligou. Disse que ia lá. Ele nunca ia lá às Sextas-feiras. Nunca. Quando as viu perguntou logo quem é que elas eram. (Esse ponto é importante).

Houve uma grande discussão. Eu tenho ansiedade e tive tomar dois SOS. Estava tão nervosa que só disse baixinho para a Camila "Tu eras a única que sabia...". Um desabafo para tentar orientar a cabeça. Eu não vi a parte má da situação. O meu Pai disse que elas tinham de ir embora. Elas começaram a discutir comigo, mas foram embora. Quando o meu Pai saiu, mandaram mensagem e depois ligaram. Pediram que eu fosse ter com elas. Eu fui.

Elas tentaram por-me contra a Camila. Fingiram que encorporaram. Disseram que a Camila avisou o meu Pai a troco de dinheiro. Disseram o nome da minha Avó Paterna (Todos os meus Avós morreram). Tomei mais um SOS. Elas queriam dormir debaixo da minha cama. Disse que não. A minha cama é daquelas que o colchão levanta. Iriam morrer sem oxigénio. Impossível. Voltei. Dormi. 

No dia seguinte, o meu telemóvel não estava a carregar. Dormi de novo. Não tinha fome. Elas mandavam mensagens a dizer que eu estava a ignora-las. Que só queriam as coisas que deixaram no meu apartamento. Eu estava mesmo mal com situação. Tinha sido uma noite fria. 

Liguei a uma Colega minha muito querida. Ela disse que a Camila tinha ficado uma hora em chamada com ela. E mostrou-me aquilo que eu não tinha pensado: Eu poderia estar morta, pois coloquei dentro do meu apartamento duas desconhecidas. Pedi desculpa a quem deveria. Bebi um chá, como me aconselhou. E arrebitei. A fome não veio no Sábado, mas a energia sim.

Vários pontos eram estranhos:

- Elas tinham bons telemóveis;

-Internet;

-Facebook sempre activo;

-Chamadas e mensagens.

Não, eu não tinha pensado nisto. Soube a VERDADEIRA história dela. Não era bem assim. Eram daquelas pessoas que se prendiam às pessoas como lapas para não trabalharem. Jogavam com o coração das pessoas. Elas tinham onde ficar sim, simplesmente não cumpriam as regras e eram mandadas embora. Ponto.

Ainda tivemos de ir ter com elas para levar as coisas. Não cheiravam muito bem e eu só queria livrar-me daquilo. A Camila ajudou-me. Eu fingi que tinha tomado um medicamento de SOS para ansiedade só para não lhes dizer na cara que sabia a verdade. A que mandava disse que o Victan não fazia esse efeito. Quase disse tudo, mas a Camila controlou-me e disse para irmos embora. Fomos.

Dias depois, apesar de ter o número de ambas, ligaram em anónimo a dizer que lhes faltava uma bolsa de vernizes. "É muito estranho teres perguntado se fazia unhas quando cheguei.". Ela tinha uma caixa duma máquina para secar unhas de gel. Foi só para a conhecer. Referi que tinha limpo a sala (onde estavam as coisas delas) e não tinha nada. A Manda-chuva começou a falar por trás "Eu sei o que tinha na pensão e o que levei. ". Se tivesse encontrado algo, diria. Começaram a ameaçar que iam à Polícia e que iam contar a discussão que foi na Sexta-feira. Só usei a seguinte frase "Façam o que quiserem.". Que estavam a falar a sério. Que iam mesmo. Voltei a repetir. Desligaram na cara!

Liguei a uma Amiga minha, Melhor Amiga da pessoa que contou a verdade sobre elas. Pediu o número delas e tentou resolver. Disse que se elas voltarem a ligar para mim para lhe dizer. A melhor Amiga dela passou-se por elas me estarem a ameaçar e ligou-lhes. Ai ficaram a saber que eu sabia a verdade sobre elas. A tal pessoa disse para não voltarem a ameaçar-me, pois ela sabia onde elas comiam de GRAÇA todos os dias e onde dormiam. Que se tinham metido com a pessoa errada.

Nunca mais me incomodaram. Só tenho a agradecer a quem me ajudou com estas pessoas. E aprendi com o erro. Bom, agora desconfio de todas as pessoas que dizem no Facebook que estão a dormir na rua. 

A única pessoa que vai dormir no meu sofá-cama sou eu.

Não podemos acreditarem tudo que os outros dizem e não podemos mudar o mundo. 

Pessoas na rua há muitas, não sabemos a história delas, os motivos e se são boas pessoas ou não. Não sabemos nada. São puros desconhecidos.

Nunca façam o mesmo que eu fiz. Não existe só a parte boa!

Beijokitaz

 

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