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Devaneios de Miss L

26
Jun21

SONHOS TRAÇADOS || CAPÍTULO 2


Miss L

Olá Nossos Devanienses!

 

Porta, Má sorte, 13, Treze, Azarado, Hotel, Apartamento

 

Capítulo anterior

Comemos deliciada. Porém, a cada garfada, ficava cada vez mais arrepiada e com uma sensação estranha. A meio da refeição, a Camila começou a vomitar bastante. Assustei-me e comecei a ajuda-la. Encaminhei-a para o seu quarto. Desci, fiz-lhe um chá para a ajudar a adormecer. Deixei-a sozinha e fui limpar o vómito dela. Acabei de arrumar a cozinha.

 

Capítulo 2

Passei o resto da noite a beber chá. Estava com um incomodo, uma má disposição ligeira. Nem deu vontade ler e fui descansar. Mais uma vez, pareceu que tinham batido na porta trancada do lado de dentro. Ignorei, pois deveria ter caído algo e nada mais. Estava mesmo ensonada. A noite foi agitada. Acordei toda suada. Sonhei que estava presa naquele quarto trancado. Este, pelo contrário, não era suíte. Não havia luz, nem janelas (pelo menos, visíveis). A porta não abria. Eu estava cada vez mais a entrar em pânico. Eu batia na porta e ninguém fazia nada. Ouvia-me e a Camila a conversar alegremente (foi ai que percebi que estava no tal quarto). Senti a minha tensão a cair. E depois acordei.

Tomei um SOS ( medicamento que ajuda a controlar a ansiedade nos períodos mais críticos). Tirei a roupa da cama para lavar. Peguei na vela e acendi na casa-de-banho. Tomei um duche para limpar a minha mente daquele sonho mau. Porém, acompanhou-me o dia todo.

Desci ( de pijama, claro) e fui comer alguma coisa leve. Subi para trabalhar num novo artigo. Pensei se deveria escrever sobre a "surpresa" estranha dos hamburgueres cozinhados pela Camila. Decidi partilhar o meu pesadelo. Tinha o objectivo de livrar-me dele. Fui preparar um chá, assim que acabei. Fiz duas chávenas para dar uma à Camila. Como ela ainda estava a dormir ( a sério?!), deixei em cima da mesa-de-cabeceira dela. Não servirá de nada se arrefecer demasiado.

Voltei para o quarto e li mais uns capítulos de Camilo Castelo Branco. Comecei a ler "Cinco páginas que é melhor não lerem". Camilo Castelo Branco começou por afirmar que "este capítulo mira a alvo transcedental.". Bebi o chá com uma sensação mista, não sabia se estava a gostar ou não, mas já estava na página 141. Além disso, estavam ali quase 2 semanas da minha vida. Até ao final, poderia ter algum feedback sobre o Escritor. Além disso, eu tinha do acabar para escrever um artigo sobre. Sempre precisei de conteúdo para o meu trabalho.

Fui buscar uma garrafa de vidro com chá. Fiz uma sandes de ovo com tomate, alface, tofu e oregãos. Uma grande baguete para escrever a verdade. Lembrei-me de fazer outra para Camila e embrulhei-a. Ela ainda dormia e deixei ao lado do chá. Porém, quando ia a sair, senti um arrepio e decidi acorda-la. Eram quase seis horas da tarde. 

De repente, ambas olhámos para a parede. A parede que tinha do outro lado o quarto trancado. Eu poderia jurar que tinha ouvido passos. 

-Eu ouvi passos, Ca. O teu Pai só falou isso daquele quarto? - questionei, a medo.

-Eu também acho que ouvi, mas deve ser imaginação nossa. - desvalorizou.

-Certo... - respondi, pouco segura. - Bom, estás melhor?

-Sim, claro, Carlota. 

Ela pegou na sandes e no chá, agradecendo. Também comecei a comer. 

-Lembras-te daquilo que eu disse quando o teu Pai arranjou este local? Eu nunca pagaria para ficar aldeia, mas não te vou deixar ficar com as despesas todas.

-As aldeias também têm coisas boas.

-Pois, pois. Esta noite, tive mais certezas do que disse. Tive um pesadelo horrível. Estávamos muito melhores na cidade. - fiz-lhe uma careta.

Ela quis saber que sonho mau foi esse. Eu contei. Ela afirmou que eu estava a exagerar. Estava só a desentoxicar-me da cidade, talvez. A mudança estava a assustar-me ou assim. Para não dar importância. Talvez seja o melhor.

Tirámos umas fotografias com as nossas sandes maravilhosas. Coloquei na rede social. Estar com a rede social e o Blog actualizados são muito importante para o meu trabalho. (Sim, eu não vivo do ar. É a realidade.).

Fui buscar o meu computador, a vela e internet. Desta vez, fui eu quem escolheu o filme (com o objectivo de escrever sobre). Era banal, mas não era mau. Referia que era baseado em factos. Porém, podia ser só publicidade. Era sobre um assassino que oferecia um gatinho de peluche, feito por ele, às vítimas que escolhia e depois matava-as. Todas as vítimas tinham olhos castanhos aveludados como os da Camila. Brinquei com ela por causa desse pormenor. Mesmo sem corpos, os funerais foram realizados, pois eram devolvidas partes do corpo, de forma misteriosa. A única prova de que estavam mortas. Por vezes, o coração, uma mão, um dedo, o cérebro. E os tumulos, também de forma não explicável, tinham sempre o gatinho de peluche. Por mais que algumas Famílias deitassem fora, ele voltava. Uma e outra vez. 

Quando o filme acabou, estávamos animadas. Porém, eu não conseguia ver mais nenhum filme. Estava a ficar demasiado idosa. Vimos uns vídeos engraçados de gatos para matar o tempo e fomos dormir. 

Tive o mesmo pesadelo esta noite. Porém, quando senti a tensão descer ( normalmente está a 9-6), alguém me tentou sufocar pelas costas. Acordei toda suada e assustada. Comecei a chorar de medo. Tomei o SOS a tremer. Fiquei com vontade de vomitar. Respirei fundo até passar a sensação. 

Tinha a cabeça tão pesada que resolvi dormir de novo. Comigo resultava. Acordei perto do meio-dia. Um pouco zonza, mas melhor. Preparei um chá, um litro e meio, mais precisamente, para acompnhar-me no meu trabalho.

Escrevi sobre o filme do dia anterior e arrepiei-me. Quando acabei o artigo, voltei a ler. Tinha mesmo de acabar aquele livro. Já eram quase 7 e meia quando pousei o livro e nem sinais da Camila. Fui acorda-la. Ela despertou sem animo e com uma olheiras enormes.

-Ca, vieste para aqui para dormir?

-Nem é assim tão tarde, Carlota. - rematou ela.

-Claro que não. São só 7 e meia da noite.

Ouvimos uma batida do outro lado da parede, no quarto trancado. Achamos que era algum problema na parede, por ser antigo. Não entendíamos muito de construção para dar importância ( na verdade, nada entendíamos). 

Contei-lhe que tive de novo o pesadelo e novo acontecimento. Ela desvalorizou de novo. Não passou dum pesadelo. São coisas normais. Não querem dizer nada. 

Questionei se ela queria comer algo, pois iria buscar mais chá para mim. Ela olhou para mim com um ar confuso.

-Mas tu disseste que ias fazer umas belas pipocas para vermos outro filme. Querias trabalhar noutro filme ou lá o que disseste.

-Pois, Ca... Queres pipocas é isso? Eu trouxe umas de microondas.

-Exacto, disseste que tinhas trazido.

Foi a minha vez de desvalorizar. Na cozinha já estavam as pipocas prontas. Revirei os olhos. Ela já estava a brincar demasiado. Sendo assim, só faltava o meu chá. Não tinha nenhum filme de terror no site que não tinhamos visto, por isso mesmo, escolhemos um documentário. Era sobre casas isoladas no meio do nada que escondiam segredos sinistros. Assassinados e torturas, por exemplo. Até rituais satánicos. Tudo era "permitido", pois ninguém iria desconfiar. Quem iria investigar seja o que for naquela zona? Era o sítio "ideal" para esse tipo de coisas. 

No final, já era tarde e ambas decidimos ir dormir. Quando saí do quarto dela, arrepiei-me imenso. Não deveria ser impressão minha, eu não estava mesmo a sentir-me bem naquele sítio. Estava com medo, mas naquela altura, eu não tinha a certeza. 

Tive o mesmo pesadelo. Só que em vez de me sofucarem pelas costas, cortavam-me o pescoço. Acordei toda suada e a tremer. Tomei o meu SOS. Fui tomar banho com a minha vela que estava quase a acabar. 

No final, decidi, vestir uma blusa branca e umas calças de ganga. Coloquei os meus brincos. Fui buscar o meu chá e fiz uma sandes de hamburguer de grão-de-bico, tomate, alface e cogumelos. Escrevi o artigo no meu quarto. 

 

Beijokitaz

 

 

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